Açorda Alentejana

A Açorda Alentejana é uma das heranças da presença árabe no atual território onde se inscreve o Alentejo, no islão é conhecida por “tarid” ou “tarida” a partir da evolução de Ath-thurda e que signifca migar o pão, sopas de pão. A açorda é um bom exemplo da dieta mediterrânica.

A composição básica da açorda consiste nos poucos ingredientes que estavam disponíveis ao povo como o alho, sal, água em ebulição e com o produto da transformação das azeitonas e do trigo, o azeite e o pão (na açorda usado duro, aproveitando-se as sobras) respectivamente, a esta base juntam-se ervas aromáticas ou outros ingredientes quando disponíveis para lhe conferir sabor e riqueza como sejam o poejo ou os coentros, mas também o ovo escalfado, uma posta de bacalhau, peixe do rio, cação, queijo fresco, beldroegas entre outros.

“Açorda

“Da clássica açorda alentejana, cujo caldo o abegão prepara num instante, lançando a água a ferver em cachão sobre os barranhões, onde o cozinheiro depôs os temperos — azeite, na quantidade de três centilitros por cada homem, e sal pisado com alho, poejos ou coentros e pimentão. Escaldado o azeite, prova-se, corrigese a água do sal, e, pronto, está o caldo feito, exalando o cheiro activíssimo dos temperos. Só faltam as sopas que, em breve, serão migadas pelos ganhões. Descrição de José da Silva Picão, inserida na página 138 do livro “Através dos Campos”, publicado em 1903, Publicações Dom Quixote, reedição de 1983.

“Com alvo pão, verde poejo e dourado azeite, em fervente água, se compõe o consolo da vida que se chama açorda. Açorda, só no Alentejo. Só aqui, e com limites geográficos bem determináveis, é possivel encontar um alimento identificado com o homem e que faz o homem. (João Falcato, “Elucidário do Alentejo”, Coimbra editora, 1953.” (Carta Gastronómica do Alentejo)

A açorda alentejana geralmente leva os poejos apanhados na ribeira e os coentros juntos ou em separado.

Aqui fica uma receita de Açorda de Poejos para 4 pessoas:

– Um molho de poejos

– Seis dentes de alho

– 1 dl de azeite

– Sal grosso

– 1,5 l de água

– quatro ovos

– 1/2 pão duro em fatias finas ou em quadrados pequenos

Retiram-se as folhas aos pés do poejo e lavam-se. De seguida juntam-se as folhas os alhos e o sal no almofariz e “pisam-se” até obter uma pasta.Ferve-se a água e escalfam-se os ovos.

Numa terrina ou em pratos individuais deita-se a pasta obtida o azeite e um pouco da água fervida para misturar, coloca-se o pão o resto da água fervida e o ovo escalfado.

Também se pode conservar a pasta num pequeno frasco, cobrir com azeite,  tapar e conservar no frigorífico para usar em qualquer momento, esta pasta também resulta muito bem em molhos de peixe ou carnes grelhadas.

Tal como referido acima existem várias formas de fazer açorda e muitos ingrediente que se podem juntar, um pouco mais a Sul em Portel realiza-se um Congresso das Açordas das quais ficam algumas sugestões.

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